Sua testosterona está caindo?
03 de julho de 2025

Está envelhecendo, sente piora da sua disposição, sempre cansado, libido e desempenho sexual caindo… Então resolve fazer o exame de Testosterona
Está envelhecendo, sente piora da sua disposição, sempre cansado, libido e desempenho sexual caindo… Então resolve fazer o exame de Testosterona e depara com a questão: está dentro do valor de referência porém no percentil mais baixo entre 250, 300, no máximo 350, longe do limite superior de 800!
Aí vem a dúvida, repor esse hormônio ou não? Será que o valor laboratorial é mais importante que suas queixas?
Entenda sobre repor ou não seus níveis de Testosterona, em que a clínica (sintomas) são sempre mais relevantes que qualquer exame.
Em um estudo realizado e publicado pelo New England Journal of Medicine , com 790 homens que apresentavam deficiência de testosterona e receberam uma reposição de testosterona em gel ou placebo, os homens que realizaram a reposição apresentaram uma melhora na pontuação do FACIT – Functional Assessment of Chronic Illness Therapy, indicando melhora do cansaço; e também na escala de vitalidade do 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36), indicando melhor vitalidade e disposição.
O estudo mostrou que a reposição de testosterona melhorou a vitalidade dos pacientes
No mesmo estudo publicado pelo NEJM, os homens que realizaram a reposição de testosterona apresentaram melhor pontuação no PDQ-Q4, aumento do desejo sexual pelo DISF-M-II, e melhora da ereção de acordo com o IIEF, questionários validados para avaliar desempenho e vontade sexual.
A reposição provocou uma mudança estatisticamente significativa no resultado dos pacientes quanto à melhora da atividade sexual
Uma metanálise (o mais alto nível de evidência, reunindo vários estudos), com 1083 pessoas avaliadas, sendo que 625 foram randomizadas para o uso de Testosterona, mostrou como resultado que o tratamento proporcionou uma redução de 6,2% da massa de gordura inicial, e aumento de 1,6kg (+2,7%) na massa magra.
Isso não é nenhuma surpresa – sabemos que a Testosterona induz hipertrofia no musculo esquelético por diferentes mecanismos, tanto pelo receptor androgênico como por caminhos independentes.
Em estudos ( https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26504040/ e https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22584031/ ) que avaliaram a dosagem de testosterona nos pacientes diagnosticados com câncer de próstata, percebeu-se que pacientes com níveis mais baixos de testosterona tem maior probabilidade de apresentar um câncer de próstata mais grave no momento do diagnostico e com pior prognóstico!
E, da mesma forma, a reposição de testosterona não aumentou a frequência de câncer de próstata , e tem até sido estudada em pacientes com o câncer em atividade.
Na 1ª década deste século, alguns estudos retrospectivos e triais randomizados sugeriram que a reposição de testosterona aumentaria o risco de doenças cardiovasculares, o que havia levado o FDA (a “Anvisa dos EUA”) a liberar uma declaração sobre os potenciais riscos cardiovasculares da Testosterona. Porém, NENHUM dos estudos publicados anteriormente eram projetados de maneira adequada para avaliar eventos cardiovasculares!
Este conteúdo é parte do compromisso da Clínica Revitalize em traduzir ciência em prática clínica acessível, sem perder rigor ou profundidade.
