Melhorar a memória
16 de fevereiro de 2020
Nootrópicos são substâncias que estimulam a nossa capacidade cognitiva, seja por um incremento na memória, atenção, concentração ou motivaçã
Nootrópicos são substâncias que estimulam a nossa capacidade cognitiva, seja por um incremento na memória, atenção, concentração ou motivação. Os nootrópicos são usados pelos homens há milhares de anos, sendo que atualmente inúmeros novos compostos com maior eficiência foram descobertos. Alguns exemplos de nootrópicos utilizados desde a antiguidade são o café, o chocolate e o tabaco. Pesquisadores estudam há vários anos substâncias que possam melhorar as habilidades mentais. Estas substâncias são chamadas de “estimulantes cognitivos”, “drogas inteligentes” ou “nootrópicos”. (“Nootrópico” vem do grego – “noos =” mente e “tropos” = alterado, em direção a). Os efeitos de melhoria cognitiva podem ser variados, tais como, melhoria da memória, aprendizado, atenção, concentração, resolução de problemas, raciocínio, habilidades sociais, tomada de decisão e planejamento.
A pesquisa destas substâncias foi orientada inicialmente aos indivíduos com deficiências mentais. Posteriormente foram realizadas pesquisas em indivíduos saudáveis. É um campo com potencial ainda pouco explorado, apesar dos benefícios em potencial deste grupo de substâncias serem enormes. Entre os nootrópicos sintéticos mais recentes temos: Ritalina, Anfetaminas, Modafinil, Piracetam, etc. Os nootrópicos podem ser portanto, substâncias naturais ou sintéticas que exerçam atividade positiva sobre as funções cerebrais.
Existem diversos estudos realizados em indivíduos saudáveis com modernos nootrópicos. Um deles é um grande estudo com mais de 300 pessoas. Todos os estudos obtiveram resultados positivos com pouquíssimos efeitos colaterais como insônia numa incidência de 2% maior que no placebo e um pequeno aumento da pressão arterial. Em todos os estudos se comprovou o aumento da memória de trabalho verbal e numérico. Houve um aumento do tempo de resposta nos testes, mas também um aumento significativo na taxa de acertos. Outros dois estudos realizados pelas forças armadas americanas em pilotos, demonstraram um aumento considerável do desempenho em simulações de 40 e 36h com indivíduos sem dormir. Nesses estudos, após 24h sem dormir, foi ministrado 100mg de Modafinil a cada 4h para os pilotos. Atinge-se o pico de concentração plasmática em 2-3h e tem meia vida de 12h (mas o efeito diminui antes). Os efeitos colaterais do Modafinil incluem dor de cabeça, infecção do trato respiratório superior, náuseas, vômitos, nervosismo, ansiedade ou insônia. O Modafinil está contraindicado em pacientes com pressão alta, em tratamento de arritmias cardíacas ou com hipersensibilidade aos componentes da fórmula.
A Ritalina inibe fortemente a recaptação de dopamina e levemente a de noradrenalina. Age principalmente na região ligada primordialmente à memória de trabalho e à recuperação de memória de longo prazo. A dopamina é o neurotransmissor ligado a concentração e as funções executivas do cérebro atuando primordialmente no córtex pré-frontal. A Ritalina inibe a receptação da dopamina mantendo-a na fenda sináptica por mais tempo, proporcionando uma ativação do sistema executivo do cérebro.
Existem diversos estudos, alguns apontando um ganho de até 6 pontos de QI em indivíduos com DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Em indivíduos saudáveis há um aumento das memórias de trabalho, numérica, verbal e espacial. Pico de concentração plasmática em 1h e meia vida de 3h. É um dos nootrópicos mais conhecidos e utilizados. Estima-se que 10% da população americana com menos de 20 anos faz uso da droga. O uso continuado por mais de 10 anos pode acarretar problemas cardíacos em pessoas com predisposição. Os efeitos colaterais da Ritalina incluem desconforto abdominal, náusea, azia, nervosismo e insônia no início do tratamento, diminuição de apetite que pode resultar em perda de peso ou atraso de crescimento em crianças, dor de cabeça, sonolência, tontura, alterações nos batimentos cardíacos, febre e reações alérgicas.
O Piracetam foi um dos primeiros medicamentos a ser utilizado contra a demência senil, também conhecida como doença de Alzheimer. É uma condição de natureza crônica e progressiva, caracterizada pelo desenvolvimento de múltiplos déficits nas funções intelectuais (memória, fala) e alterações da personalidadeé um ativador do metabolismo cerebral que age no sistema nervoso central, protegendo o córtex cerebral contra a hipóxia. É também utilizado no acidente vascular cerebral (AVC), alcoolismo, distúrbios de atenção, distúrbios da concentração, distúrbios do comportamento, involução senil, toxicomania. Problemas digestivos são os principais efeitos colaterais do uso do Piracetam.
Hydergine é um medicamento vasodilatador cerebral que tem como substância ativa a Codergocrina. Esse medicamento é indicado para Sinais e sintomas de deterioração mental especialmente aqueles relacionados ao envelhecimento: tontura, cefaleia, pouca concentração, desorientação, comprometimento da memória, falta de iniciativa, depressão do humor, insociabilidade, dificuldades com as atividades diárias e cuidados pessoais. Doença vascular cerebral aguda. Distúrbios vasculares periféricos. Sintomas subjetivos associados a hipertensão arterial.. Os efeitos colaterais do uso deste medicamento são distúrbio gastrintestinal, náusea, obstrução nasal. Não usar durante a gravidez.
A Selegilina é utilizada no tratamento do Mal de Parkinson, ao inibir irreversivelmente a enzima MAO B que degrada a dopamina, aumentando assim seu efeitos. A selegilina pode aumentar a transmissão dopaminérgica através de outros mecanismos como o de impedir a recaptura da dopamina ao nível da sinapse. Apresenta grande efeito no sistema nervoso central, diminuindo os “tremores” característicos da doença. Como efeitos colaterais costumam aparecer com frequência, porém não muito severa, náuseas, enjoos, fraqueza, dor abdominal, confusão, alucinações, sensação de boca seca, sonhos vividos e discinesias.
A perda gradual da capacidade cognitiva e velocidade de processamento cerebral acometem mais de 80% das pessoas que ultrapassaram os 30 anos de idade. Um grande número de evidências científicas demonstra, de forma clara, que a queda de desempenho cerebral não é um fato irrevogável, podendo ter o seu curso modificado. Dentro deste contexto, insere-se a Pregnenolona , um dos mais importantes hormônios do corpo humano e essencial em qualquer faixa etária. A Pregnenolona é um abundante hormônio cerebral que pode ajudar no processo da memória, sendo precursor (formador) da maioria dos hormônios esteróides ( sexuais e adrenais). Além de sua função de precursor dos nossos principais hormônios sexuais e adrenais, a pregnenolona têm função de neurotransmissor e estímulo da neurogênese (formação de neurônios novos) comprovado em estudos em animais. Já em 1950, o Dr. Edward Anderson um célebre neurofisiologista, publicou no Jornal de Endocrinologia a seguinte frase “A Pregnenolona parece ter nítidos benefícios e merece a atenção do meio médico, além de não terem sido evidenciados nenhum efeito adverso na fisiologia endócrina e sua ação mostrou-se promissora no tratamento das doenças correlacionadas ao processo de envelhecimento “.
Existem diversos outros medicamentos inteligentes sintéticos com atuações diferenciadas sobre os processos mentais. Além dos nootrópicos sintéticos podemos contar com substância naturais para a mesma proposta clínica, como veremos abaixo.
Um dos mais antigos, mais usados e menos eficiente dos nootrópicos. Atua mimetizando o neurotransmissor adenosina e se liga aos seus receptores no cérebro inativando-os. A adenosina tem um papel inibitório no cérebro, e inativação dos seus receptores aumenta a função cerebral. Além disso a cafeína e seus metabólitos aumentam as concentrações plasmáticas de adrenalina, com isso aumentando os batimentos cardíacos, pressão sanguínea e estresse. Como resultado, a longo prazo ela aumenta a incidência de infartos. Após longo período de uso se desenvolve tolerância e a interrupção causa depressão, irritabilidade e sonolência.
Fosfatidilserina – é uma substancia lipídica que é incorporada nas membranas de todas as células cerebrais e ela garante que haja boa comunicação entre as células, o que garante um bom funcionamento cerebral. O uso de fosfatidilserina auxilia a reduzir os níveis de cortisol fruto do aumento do estresse, reduzindo seu impacto negativo sobre o cérebro. Ela age na memória e na reversão da redução da memória causada pela idade. Trabalhos com indivíduos mais velhos mostra que a ingestão diária desta substancia mostrou melhora do aprendizado, lembrança de nomes, imagens e números comparado com pessoas que não ingeriram.
Este conteúdo é parte do compromisso da Clínica Revitalize em traduzir ciência em prática clínica acessível, sem perder rigor ou profundidade.
