Disbiose intestinal : inimigo oculto?
15 de outubro de 2025

A ingestão do alimento não garante que seus nutrientes estarão biodisponíveis para serem utilizados pelas células. Neste contexto, o intestino é fundamental para absorção e quando está inflamado no caso de disbiose esses nutrientes não entram de maneira satisfatória.
A alimentação pode ser considerada como um dos fatores comportamentais que mais influencia a qualidade de vida das pessoas. Nossa conduta adequada diante da alimentação fez-se necessária, pois os hábitos alimentares e o estilo de vida, nos últimos 40 anos, passaram por diversas modificações, sobrecarregando os diferentes sistemas do organismo. A ingestão do alimento não garante que seus nutrientes estarão biodisponíveis para serem utilizados pelas células. Neste contexto, os intestinos são órgãos de vital importância no nosso corpo. Funcionam como filtros, capazes de permitir ou barrar a entrada de nutrientes necessários ao organismo e de substâncias prejudiciais para a nossa saúde. É preciso nutrir o organismo adequadamente, isto é, ter uma ingestão adequada de alimentos, em quantidade e qualidade, afim de que nosso organismo receba todos os nutrientes essenciais ao seu bom funcionamento e ainda garantir que estes alimentos sejam bem digeridos, absorvidos e utilizados. Este processo é fundamental para determinar o melhor estado físico, mental e emocional.
A gente pode definir DISBIOSE como ‘o desequilíbrio entre os microorganismos benéficos e patogênicos presentes no intestino humano’. E isso é muito prejudicial à saúde. As principais conseqüências são a deficiência da absorção de vitaminas, cansaço, inativação de enzimas digestivas, má digestão, fermentação excessiva, desconjungação de sais biliares, comprometimento da digestão e absorção de gorduras, produção de promotores tumorais (como nitrosaminas) e a destruição da mucosa intestinal. Não é brincadeira não!
Se as paredes intestinais estiverem prejudicadas, pode ocorrer um desequilíbrio entre as bactérias protetoras e agressoras do intestino, originando a DISBIOSE INTESTINAL, e, além de todas as doenças que vimos acima, possuem sintomas nada agradáveis: desconforto abdominal, inchaço abdominal, sobrepeso, desnutrição e até mesmo o surgimento de doenças graves devido a alterações do sistema imunológico (câncer, esofagite, infecção urinária, tioidite Haschimoto , Lúpus, artrite reumatóide, depressão, ansiedade, síndrome do Pânico e outros transtornos psíquicos).
Mas as pesquisas científicas descobriram elementos na natureza que podem recuperar a microbiota. (Em ecologia, chama-se microbiota o conjunto dos microorganismos que habitam um ecossistema, principalmente bactérias, mas também alguns protozoários, que geralmente têm funções importantes na decomposição da matéria orgânica e, portanto, na reciclagem dos nutrientes.)
O trato gastrintestinal (TGI) abriga um superorganismo chamado microbiota intestinal (flora intestinal), que é conhecida por desempenhar um papel crucial na digestão e também no desenvolvimento de diversas doenças. O trato gastrintestinal humano contém mais de 10 trilhões de bactérias, abrangendo mais de 500 espécies diferentes. Uma das principais funções da mucosa intestinal é sua atividade de barreira, que impede as moléculas ou microrganismos antigênicos ou patógenos de entrarem na circulação sistêmica. O intestino humano representa o maior órgão linfoide do corpo, desta forma ele é responsável por diversas reações imunológicas, devido a presença de anticorpos, como a imunoglobulina A secretora e outras várias células imunocompetentes. A integridade intestinal está ligada a um equilíbrio das bactérias intestinais e à nutrição saudável de enterócitos e colonócitos, que são células da mucosa intestinal.
A presença destas bactérias é essencial para o metabolismo, a proteção contra agentes patogênicos e de maturação do sistema imunitário . Em contrapartida, o sistema imunitário determina a composição da microbiota. Composição microbiana alterada pela disbiose tem sido correlacionada com numerosas doenças em seres humanos, devido à redução da imunidade de acordo com artigo publicado no American Jourmal of Transplantation, por pesquisadores do Departamento de Medicina, da Universidade de Chicago.
Outro grupo de pesquisadores, da Escola de Medicina da Universidade de Keio em Tókio, relataram que as composição da microbiota intestinal desregulada ou disbiose, pode ser associada com as causas fundamentais da Doença Inflamatória do Intestino (DII) e que a depressão no sistema imunitário intrínseco é um efeito, não uma causa, da DII.
Se as paredes intestinais estiverem prejudicadas pode ocorrer um desequilíbrio entre as bactérias protetoras e agressoras do intestino, originando a disbiose intestinal , um distúrbio que pode acarretar sobrepeso, desnutrição e até o surgimento de outras doenças mais graves, devido a alterações do sistema imunológico, como:
Pode ainda estar associada a outros fatores alimentares, dieta com excesso de proteína, gordura ou carboidrato (uma grande ingestão de carboidrato leva a maior fermentação pelas bactérias no intestino grosso), ou com baixo teor de fibras ou ainda carência de vitaminas. A disbiose inibe a formação de vitaminas produzidas no intestino ou sua absorção, como a B 12 e permite o crescimento de fungos e bactérias capazes de afetar o funcionamento do organismo, alterando a microbiota intestinal.
A saúde mental está intimamente ligada à saúde física. A depressão por exemplo, é altamente prevalente em todo o mundo e uma importante causa de incapacidade individual. A depressão pode ter várias causas, podendo ser uma delas a disbiose, de acordo com os cientistas. Em um artigo publicado na Inflammopharmacology no mês passado, pesquisadores do Medlab, em Sydney, Australia afirmam que a microbiota no trato gastrintestinal está implícita como participante importante na melhoria das condições adversas de humor, através das diversas atividades metabólicas exercidas por bactérias benéficas vivas (probióticos) como tratamento adjuvante destas desordens.
O tratamento da disbiose abrange duas linhas, uma DIETÉTICA, por meio da ingestão de alimentos funcionais, que beneficiam a constituição da microbiota intestinal, e outra usando SUPLEMENTOS. Os alimentos funcionais que estão relacionados à melhora e à manutenção da microbiota são os probióticos , os prebióticos e os simbióticos . Evidências têm demonstrado que os alimentos probióticos e prebióticos modulam positivamente a composição e a atividade da microbiota intestinal, com consequentes efeitos benéficos sobre a saúde, como o restabelecimento do equilíbrio destes microrganismos, estímulo ao sistema imune, com fortes indícios de que inibam, ainda, atividade carcinogênica.
De uma maneira geral evitar comer alimentos industrializados e que tem potencial inflamatório para intestino irá fazer com que sua microbiota "fique mais feliz".
Este conteúdo é parte do compromisso da Clínica Revitalize em traduzir ciência em prática clínica acessível, sem perder rigor ou profundidade.
